quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pioneiras, eólicas do Proinfa geram abaixo do previsto no Nordeste

Enquanto projetos amargam potência efetiva abaixo do estimado, plantas de leilões chegam a gerar acima da garantia física
O parques eólicos implantados por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) na região Nordeste recebem uma tarifa que, atualizada, chega a cerca de R$300 por MWh, mas geram abaixo de suas garantias físicas. Enquanto isso, os primeiros projetos viabilizados por leilões, que já começaram a funcionar no ano passado, apresentam números mais próximos das previsões - chegando a ultrapassar o fator de capacidade declarado em alguns meses.
A conclusão aparece após análise de dados públicos disponibilizados no portal do Operador Nacional do Sistema (ONS), que mensalmente relata o desempenho da geração eólica no País. Dentre as usinas com desempenho listado, destaca-se a eólica Praia do Morgado - que gerou, efetivamente, apenas 51% de sua garantia física em 2011. A planta, inclusive, já havia registrado geração até mesmo um pouco menor em 2010. Já a usina de Praia Formosa contribuiu com apenas 58% de sua garantia física ao longo do ano, desempenho pior que em 2010, quando havia entregado cerca de 74%.
Das 13 usinas acompanhadas pelo ONS na região Nordeste, nenhuma delas conseguiu atingir o fator de capacidade estimado. Ainda assim, os projetos mais recentes, como as usinas de Mangue Seco, no Rio Grande do Norte, que pertence à Petrobras, apresentam números melhores. Com exceção da EOL Mangue Seco 5, que gerou 57% do previsto, as outras cinco plantas do complexo tiveram eficiência de entre 81% e 92%. Em alguns meses, os projetos geraram mais do que a capacidade estimada, devido aos bons ventos.
Na região Sul do País, o complexo de Osório, com 150MW de potência distribuídos em três usinas que estão em operação desde 2006, produziu muito perto de sua garantia. Ao mesmo tempo, as eólicas de Cidreira e Cerro Chato, que passaram a funcionar em 2011, chegaram a apresentar efetividade até maior do que as garantias físicas entre setembro e dezembro.
O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo Simões, minimiza a questão e diz que há algumas imperfeições nos dados, mas garante que a associação está em processo de elaboração de um estudo detalhado sobre o tema. O documento, que em breve será apresentado ao público, é a atualização de dados sobre as usinas de geração a vento que já estão em funcionamento no País.
Para o diretor da Eólica Tecnologia e vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA), Everaldo Feitosa, os dados de avaliação de ventos futuros utilizados na época do Proinfa ainda eram "uma coisa muito incipiente, muito de pesquisa". De lá para cá, as ferramentas estão mais "sofisticadas e com mais precisão para prever o vento". O especialista ainda diz que "isso não ocorreu só no Brasil, mas também em grande parte dos parques na Alemanha e nos Estados Unidos" e com "as grandes empresas do setor".
Mas, como a remuneração do Proinfa é revista a cada ano, de acordo com a geração efetiva das usinas, Feitosa destaca que não há prejuízo para o consumidor. E nem para o sistema, acredita, uma vez que esses empreendimentos representam "uma gota d´água" dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O consultor Paulo Ludmer diz que esses dados apresentados pelas eólicas "surpreenderam", mas não acredita que tenha acontecido erro nos projetos. "O homem de negócios não põe a mão no bolso para fazer uma bobagem dessa. O risco é um item importante de cálculo de custo, de retorno de investimento, e não se aumentaria o risco fazendo um projeto meia-boca", analisa.
Para ele, porém, é possível levantar a hipótese de interferência das mudanças climáticas sobre a geração de energia. "Se tiver erro, é da natureza, do imprevisível. Acho que o fator relevante aí é mesmo o vento", aponta. Ludmer afirma que algumas ideias levantadas nos primórdios do Proinfa sobre o conceito de em que momentos há ou não vento não têm se verificado, ficando fora do projetado.
"O mundo não se deu conta de que a mudança climática está em curso. Quanto é culpa da humanidade, quanto é da natureza, é cabível discutir. O que não dá pra discutir é que está havendo comportamentos atípicos. E isso que acontece no vento periga de em breve acontecer com a água", alerta.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Leilão nº 001/2012 (A-3) será realizado em 22/03, com ênfase em geração eólica

Fonte: Aneel
O edital do Leilão de Geração nº 001/2012 A-3* foi aprovado hoje (14/02), durante reunião pública da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O certame será realizado no dia 22/03 para contratação de energia de novos empreendimentos de geração de fontes hidrelétrica, eólica e termelétricas a biomassa ou a gás natural, com início de suprimento a partir de 1º de janeiro de 2015.
O leilão será realizado pela Internet, com operacionalização da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo. A energia elétrica gerada por fonte hidrelétrica será objeto de Contrato de Comercialização de Energia em Ambiente Regulado (CCEAR), na modalidade por quantidade de energia. A gerada por fontes de biomassa, eólica ou gás natural será objeto de CCEAR, diferenciados por fonte e por Custo Variável unitário (CVU) igual ou diferente de zero, na modalidade por disponibilidade de energia.
Para esse leilão, foram cadastrados na Empresa de Pesquisa de Energética (EPE) 598 empreendimentos de geração de energia elétrica. Somadas, as usinas possuem a capacidade instalada de 25.850 megawatts (MW). A maior parte dos projetos é ligada à fonte eólica: são 524 parques, que representam 88% de toda a oferta de usinas.
O Custo Marginal de Referência do leilão será de R$ 112,00 por megawatt-hora (R$/MWh), mesmo valor do preço inicial do produto quantidade (fonte hidroelétrica) e do preço inicial do produto disponibilidade (fonte eólica e termelétricas a biomassa ou a gás natural). Os preços de referência serão de R$ 82,00/MWh para ampliação de usinas hidrelétricas e de R$ 112,00/MWh para os demais empreendimentos hidrelétricos (PCHs e UHEs com potência menor ou igual a 50 MW).
O documento segue as diretrizes para realização do leilão publicadas na Portaria nº 554/2011 do Ministério de Minas e Energia (MME). A sistemática do leilão será aquela definida por meio da Portaria MME nº 006/2012.
Em relação ao edital do leilão A-3 anterior, o Leilão nº 002/2011, houve uma série de aprimoramentos, entre os quais se destacam: a incapacidade de a compradora inadimplente celebrar CCEAR para substituição de contratos de compra de energia em sistemas isolados; questões relativas à devolução de garantia de participação já executada, por falta de previsão editalícia expressa; e a necessidade de se estabelecer prazo e condições para exercício do direito de pleitear revisão de marcos do cronograma físico ou do início do suprimento devido a atraso na outorga de autorização, não imputável ao agente vendedor.
*Como a data de início do fornecimento da energia acontecerá em 2015, o leilão é denominado A-3.Os certames cujo início do suprimentoocorre em cinco anos são classificados como A-5.
Também houve inovações quanto ao CCEAR, mais especificamente quanto à elaboração de um contrato para regular a compra de energia proveniente de usina termelétrica a biomassa com CVU diferente de zero. Após as alterações, decorrentes da Audiência Pública n. 01/2012, os CCEAR dessa natureza, por disponibilidade para fontes termelétricas a gás natural e a biomassa, têm a seguinte previsão de escalonamento da entrega de energia: dois anos para os empreendimentos sem outorga a gás natural e três anos para as centrais geradoras a biomassa com CVU igual a zero.
O edital deverá estar publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17/02). Os documentos relativos ao leilão estarão disponíveis na página da ANEEL (www.aneel.gov.br), em Espaço do Empreendedor, Editais de Geração. (BT/PG)

*Como a data de início do fornecimento da energia acontecerá em 2015, o leilão é denominado A-3.Os certames cujo início do suprimentoocorre em cinco anos são classificados como A-5.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Energia eólica brasileira já é a mais barata do mundo

Com investimento de R$ 8 bilhões, o número de parques eólicos no Brasil mais que duplicou nos últimos dois anos. Em 2009, eram 33 unidades, agora são 71. Até 2016, a expectativa é de que outras 218 estações sejam instaladas. Ainda assim, o Brasil não estará nem perto de atingir sua capacidade eólica. Juntos, os parques que já operam, têm potencial para gerar 1,4 gigawatt (GW) por ano, sendo que a capacidade brasileira de geração gira em torno de 350 GW por ano, mais do que suficiente para abastecer todo o País. Para se ter uma ideia, o consumo energético nacional é de 117 GW por ano.
A energia eólica é considerada nova no País, começou a começou a ser utilizada em 2004. Mesmo assim, a presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, avalia que o Brasil está caminhando para se tornar uma potência no setor. Segundo dados da Abeeólica, a energia proveniente dos ventos corresponde hoje a apenas 1,3% da matriz energética brasileira. Até 2014, o setor deve alcançar 5,6%. "É pouco, mas considerando que estamos falando de uma energia jovem é um crescimento significativo. Além disso, ainda há muito espaço para avanços tecnológicos", explica.
Mapas eólicos indicam que os ventos no País são fortes, constantes e sem rajadas, uma grande vantagem em relação a outras nações. Isso faz com que a parte dos ventos que é efetivamente transformada em energia seja maior. É possível aproveitar de 42% a 45%, podendo chegar a 50%, em locais de Belo Horizonte. Já a média europeia é de apenas 32%. Essa característica colabora para baratear o custo da energia eólica. Prova disso é que, atualmente, a energia eólica produzida no Brasil é a mais barata do mundo. Custa cerca de R$ 105,00 por megawatts/hora (MWh), enquanto a europeia sai, em média, R$ 300,00 por MWh. "A energia eólica já se firmou como fonte limpa, renovável e competitiva. Se antes tínhamos dúvidas disso, agora não temos mais", diz Elbia.
Na comparação com outras fontes de geração, a eólica também vem ganhando destaque. É a segunda mais barata, perdendo apenas para a hidráulica (entre R$ 80,00 e R$ 90,00 por KW/h). Com leilões de 2009 à 2011, o governo contratou quase 3 GW de energia eólica para os próximos 5 anos. Para atender à demanda criada, a capacidade instalada eólica quintuplicará durante o período.
Para Elbia, se 2011 foi o ano da consolidação da energia eólica na matriz energética nacional, 2012 será o da solidificação da indústria do setor. Não só dos parques de geração, mas também da cadeia produtiva. Atualmente, existem dez empresas fabricantes de equipamentos no País. Outras duas devem se instalar aqui até o final do ano. "A expectativa para esse ano é consolidar a indústria como um todo, com todas as partes da cadeia", diz Elbia.
Sobre a possibilidade de explorar outras regiões além da nordeste e sul, a presidente-executiva da Abeeólica é otimista. Ela revela que, com novas tecnologias, é possível produzir torres cada vez mais altas com maior capacidade de captação de ventos. A partir disso, estuda-se explorar os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Torres de medição já foram instaladas para verificar se compensa investir nessas áreas. As pesquisas ainda não foram finalizadas, mas já apresentam sinais positivos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Para consultoria, armazenamento de energia será viável antes do que se esperava

Bloomberg New Energy Finance diz que tecnologia ajudará a viabilizar fontes limpas e trará avanços no gerenciamento da carga 
Um estudo da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) divulgado nesta terça-feira (24/1) conclui que a tecnologia de armazenar energia pode estar mais próxima de se tornar viável do que se imaginava. A aposta se baseia em uma expectativa de queda nos preços de baterias nos próximos anos e no avanço do desenvolvimento de técnicas e equipamentos. 
A estocagem de eletricidade seria importante para ajudar na integração à rede de fontes intermitentes, como parques eólicos e placas solares, além de reduzir os custos para atender picos de demanda. Para a consultoria, a rápida retração nos preços da tecnologia, aliada a um suporte regulatório adequado, criaria uma oportunidade significativa para o uso desses sistemas. 
O estudo aponta que armazenamento de energia já é viável no Reino Unido para alguns nichos de agentes, principalmente para aliviar gargalos em transmissão e distribuição. A penetração dessa técnica em escala mais substancial, porém, pode acontecer em um horizonte de cinco anos. 
A reserva para uso rápido deve ser mais comum até 2014, enquanto o estoque para operação por períodos curtos pode ser viável em 2017. Já o uso da estocagem por consumidores para administrar os custos com energia pode ser economicamente vantajoso logo em 2013 para players de grande porte - e em 2016 para agentes menores. 
O que anima os especialistas é principalmente a queda no preço de baterias de íon de lítio, estimulada pelo desenvolvimento dos carros elétricos. “O custo das baterias utilizadas nesses veículos vai cair e essa tecnologia vai ser diretamente transferível para o a rede elétrica”, diz o relatório da BNEF. Hoje, um projeto em escala para baterias de lítio na rede custaria mais de US$1.000 por KWh, enquanto a previsão é de que em 2015 esse preço seja de US$600 por KWh. 
Em 2020, pela análise da consultoria, sistemas de armazenamento poderão ser utilizados em larga escala no Reino Unido por meio dos sistemas de transmissão e distribuição, dentro de parques eólicos e solares ou até nas próprias instalações dos consumidores. 
A adoção dessa tecnologia, porém, depende em nível crítico de políticas de apoio - a regulação de hoje no Reino Unido chega a até mesmo proibir as empresas de transmissão e distribuição de utilizá-la, mesmo quando há benefício para o sistema. 
Shu Sun, analisa da Bloomberg, afirma que a armazenagem poderia permitir à rede ter um percentual muito maior da geração atrelado a fontes renováveis e ajudar grandes consumidores a evitar a compra de energia nos momentos em que ela é mais cara. Sun ainda vê fundos de apoio à economia de baixo carbono e incentivos à inovação como potenciais financiadores de projetos nesse sentido.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Bahia licencia 133 projetos eólicos - que somam 3.200 em potência

Com isso, estado calcula que pode alcançar 4GW eólicos no leilão de energia A-3
O Diário Oficial da Bahia publicou a emissão de licenças de localização para 133 parques eólicos a serem implantados no estado. Juntos, os projetos somam 3.200MW de potência e, se somados à carteira de usinas habilitadas anteriormente, a Bahia poderá ter 4.000MW eólicos em disputa no próximo leilão de energia nova A-3, marcado para 22 de março pelo Ministério de Minas e Energia. 
As licenças se referem à análise de viabilidade ambiental e foram emitidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Mas, como o próprio governo baiano destaca, os documentos representam apenas um dos requisitos exigidos para a participação no certame. 
"As licenças são um resultado do esforço conjunto das secretarias de meio ambiente e da indústria, através da sua Comissão Técnica de Garantia Ambiental (CTGA)”, afirma o secretário da Indústria, Comércio e Mineração baiana, James Correia. Ele acrescenta que, caso todos os projetos sejam habilitados, é provável que a Bahia garanta a maior participação no certame. 

Potencial 
Atualmente, a Bahia tem 57 projetos de energia eólica previstos para serem instalados. Os empreendimentos somam aproximadamente R$ 6,5 bilhões em investimentos e têm previsão de gerar entre 400 e 600 empregos na fase de operação. Quando os parques estiverem operando vão acrescentar aproximadamente 1.418 MW à rede elétrica. 
A previsão é que até setembro de 2012, 18 parques estejam em pleno funcionamento no Estado. As usinas eólicas foram contratadas nos leilões de fontes alternativas e de reserva realizados pelo governo nos últimos três anos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Situação da CEA põe em risco cronograma de eólicas

Por Luciano Costa - Jornal da Energia
Inadimplência da companhia do Amapá, que participou de leilão de 2010, coloca entraves a financiamentos do BNDES para usinas
Os problemas financeiros da CEA, estatal de energia do Amapá que soma dívidas e inadimplência junto ao setor, começa a ameaçar não só seus credores, mas também a expansão da matriz brasileira e outros investidores. Isso porque a situação da companhia impede que ela possa assinar os contratos de compra e venda de energia fechados nos leilões promovidos pelo governo. Em 2010, por exemplo, a estatal comprou 26% da produção futura das usinas que participaram do certame de fontes alternativas. Foram mais de 400MW, sendo 90% de parques eólicos.
A impossibilidade de assinatura dos contratos acontece devido ao fato de a CEA não ter sequer contrato de concessão, uma vez que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pediu a caducidade da autorização da companhia ainda em 2007. A empresa também não é agente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), pois faz parte dos sistemas isolados. "A CEA é inadimplente no setor. Ainda que ela assinasse um contrato, o BNDES não aceitaria. O banco considera qualquer coisa que a empresa assinar como um crédito podre", explica Élbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A entidade que reúne os investidores na geração a partir dos ventos tem acompanhado atentamente a questão. Os parques do leilão de 2010 precisam iniciar a operação em janeiro de 2013 e, como os empreendedores acabaram travados no BNDES, há o risco de atraso. "O contrato é um recebível para o empreendedor, e ele leva isso no BNDES para conseguir o empréstimo. Aí o BNDES não liberou esses recursos referentes ao montante da CEA, que é uma quantia razoável. Isso vai reduzir a quantidade de dinheiro que as empresas podem pegar no banco", detalha Élbia.
Parte dos empreendedores tem conseguido se virar com recursos próprios, aportes de fundos ou até mesmo empréstimos-ponte. Mas algumas companhias ainda estão à espera dos recursos do banco, o que compromete os cronogramas. A executiva da Abeeólica lembra que o parque de Cerro Chato (90MW), da Eletrosul, o primeiro viabilizado em leilão a gerar, levou cerca de um ano e meio para ficar pronto.
Para resolver o assunto, a Abeeólica teve reuniões com Aneel e Ministério de Minas e Energia. Élbia admite que "houve falha" do governo e da agência em não perceber antes que a entrada da CEA nos certames poderia causar problemas. Mas diz que uma solução está próxima. A ideia seria desclassificar a CEA da licitação de 2010 devido à inadimplência. Com isso, os contratos da empresa seriam distribuídos entre as demais concessionárias. "O processo está dessa forma e a decisão vai ser tomada em uma reunião de diretoria, esperamos que ainda neste mês. Já está nas mãos do relator, o diretor Julião Coelho".
O presidente da CEA, José Ramalho, garantiu na semana passada, em conversa com o Jornal da Energia, que a empresa passou a honrar seus compromissos, o que poderia dar maior tranquilidade aos novos credores. Para Élbia Melo, "o problema estrutural da CEA tem que ser resolvido, o que leva tempo", mas é preciso preservar o mercado. "As empresas tinham que ter pego o dinheiro do BNDES no ano passado para fazer os parques. As usinas precisam operar em janeiro (de 2013) e nem sequer conseguiram os empréstimos", lamenta.
O Ministério de Minas e Energia afirma, por meio da assessoria de imprensa, que "a responsabilidade sobre os leilões é da Aneel". A pasta, porém, se preocupa com o problema e enviou, em 27 de dezembro, uma carta em que pede que o órgão regulador resolva a questão o quanto antes.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Aneel aponta 8,8GW em usinas atrasadas e sem previsão de operação; quase 1GW é de eólicas

Relatório de fiscalização da agência tem térmicas como maiores vilãs, com 4,3GW em projetos com problemas de cronograma
O último relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que data do final de dezembro, aponta que 8.845MW em projetos de geração estão com problemas de cronograma e sem previsão de entrada em operação. Desse total, 4.600MW são vistos como empreendimentos com "graves restrições" e apontados em vermelho no documento. Tais complicações podem ser decorrentes de fatores como suspensão do processo de licenciamento, demandas judiciais, solicitação de rescisão amigável do contrato de concessão ou até mesmo declaração de inviabilidade de execução devido a questões ambientais. 
De acordo com os dados, as maiores vilãs são as termelétricas, que respondem por quase metade das usinas sob risco de não cumprir os prazos estabelecidos. Entre as plantas a combustíveis fósseis, são colocados pela agência reguladora 2.328MW como sem qualquer previsão de início da geração de energia. Outros 499MW estão também sem data para entrar, mas somente com a luz amarela ligada - o que representa entraves como falta de licença ambiental, obras não iniciadas ou contrato de combustível indefinido. 
Nas geradoras a biomassa, são enumerados 1.312MW em usinas com problemas e 243,2MW com restrições graves, somando 1.555MW sem expectativas de cumprimento do cronograma. Aparecem nessa lista seis projetos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) que representam 137MW em potência. Essas usinas, enquadradas no programa do governo federal, teriam garantida a venda de energia por 20 anos para a Eletrobras. 
Entre os parques eólicos, que ultimamente são vistos como as "meninas dos olhos" do setor, há 990MW com indícios de atraso, sendo 562MW vistos como casos mais complicados. Esse número, porém, está concentrado em três usinas com problemas, como a de Quintanilha Machado, no Rio de Janeiro, que pediu rescisão de contrato amigável junto ao Proinfa. Já os outros 427MW para os quais a Aneel alerta se dividem entre 125 empreendimentos. 
As hidrelétricas apresentam também complicações, com 2.315MW sem projeções para geração de energia. Desses, 681MW são mais problemáticos. A maior parte dos apontamentos no relatório da Aneel, porém, é de usinas licitadas no modelo antigo do setor elétrico e que estão travadas devido a problemas ambientais - como as UHEs Pai Querê, Couto Magalhães e Itaocara. 
Das plantas licitadas mais recentemente, apenas Teles Pires, Colíder e Santo Antônio do Jari são vistos com restrições, mas, ainda assim, com a expectativa de cumprimento dos prazos e, até mesmo, de antecipação.
Já nas hidrelétricas de pequeno porte, as PCHs, aparecem 1.156MW sem expectativas de conclusão, dos quais 784MW com entraves maiores. Dessas, três são usinas do Proinfa, todas vistas como com graves complicações e somando 32MW com a luz vermelha acesa. 
Somando todas as fontes, o levantamento da Aneel prevê a entrada em funcionamento de 10.745MW em novas usinas ao longo de 2012. Em 2012, devem ser outros 10.886MW a começar a geração. Ao todo, o relatório contempla 50.625MW em projetos fiscalizados, com operações previstas entre 23 de dezembro de 2011 e o final de 2019.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Espanholas Iberdrola e Gamesa firmam nova aliança

Ibedrola vai utilizar ao menos 50% de máquinas da parceira em suas usinas até 2022
As espanholas Gamesa e Iberdrola fecharam na última quarta-feira (21/12) um novo contrato para fornecimento e manutenção de turbinas eólicas até 2022. As duas empresas consideraram este novo contrato de cooperação mais flexível e adaptado à situação atual do mercado do que um anterior, que havia sido firmado em 2008 e que foi posteriormente suspenso. Segundo as companhias, o acordo vai proporcionar maior estabilidade e, ao mesmo tempo, permitir que as duas mantenham a liderança no setor éolico.
Pelo novo acordo, a Iberdrola assume o compromisso de comprar 50% de turbinas eólicas Gamesa no período entre 2013 e 2022 ou 3.800 MW em capacidade instalada - o que vier primeiro.
Este acordo incluiu ainda o fornecimento de serviços de operação e manutenção, por um período de três anos, de 1.748,3 MW de turbinas G4X (650 kW) e G5X (850 kW) instaladas em Portugal e na Espanha. Outros 2.312 MW, em aerogeradores G8X (2 MW) deverão receber por mais um ano os serviços de manutenção da Gamesa.
Por último, as empresas espanholas promoverão pesquisas na busca do aumento da confiabilidade das turbinas eólicas, estendendo seu ciclo de vida e a taxa de conversão dos aerogeradores. A parceira ainda buscará oportunidades para instalação de futuras eólicas offshore.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Especialistas encaram leilão A-5 como a hora e a vez dos parques eólicos

Com poucas hidrelétricas e dúvidas sobre usinas do Parnaíba, a aposta é em uma contratação massiva de energia do vento
O leilão A-5 desta terça-feira (20/12) é considerado “atípico” por especialistas do setor. Isso porque as hidrelétricas previstas para a licitação não receberam licenças ambientais a tempo e as termelétricas a gás enfrentaram dificuldades em obter contratos de fornecimento do insumo. Com isso, é grande a expectativa em cima da energia eólica, que, pela primeira vez, entra nesse tipo de licitação, com cinco anos de prazo para início da geração.
O início do suprimento dos empreendimentos contratados está previsto para 1º de janeiro de 2016, com o fechamento de contratos nas modalidades por quantidade de energia, por 30 anos, para fontes hídricas, e por disponibilidade, por 20 anos, para eólicas e termelétricas. Ao todo, serão 6,2 GW em projetos habilitados, sendo 5,1GW em eólicas e o restante distribuído entre hidrelétricas, PCHs e biomassa.
Segundo o professor de energia elétrica da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Huakai, esse volume de projetos eólicos, tem um sentido importante. Isso porque a fonte era considerada “antieconômica”, de 2005 até 2008. Com a crise mundial, houve redução dos custos, que agora estão baixos e levaram essas usinas a ganhar mercado, tornando a energia do vento atrativa.
“A fonte é importante para complementar as demais e, na minha opinião, (o patamar de) R$100 por MWh (alcançado pelas eólicas nos últimos leilões) é uma tarifa baixa. Mas ao se pensar em eólica para um leilão, é preciso muita cautela”, considera Huakai.
Para o professor, é preciso cuidado com os aventureiros - pessoas e pequenas empresas que encontram boa localização de vento, entram no leilão sem dinheiro, vendem a energia e depois saem em busca de capital. Ele também considera que, devido à importação de equipamentos, há um risco cambial alto, por conta da turbulência do mercado mundial.
Huakai também aponta que o Brasil tem tradição em hidrelétricas e vê no pequeno número de usinas da fonte no leião – apenas o Complexo Parnaíba e a UHE São Roque – um risco para o abastecimento no médio prazo. “Já está confirmada a presença do fenômeno La Niña para 2014 e, com isso, quem vai suportar a demanda são os reservatórios da região Sudeste, que também será atingida pelo fenômeno”, explica. Ele também critica o pouco tempo para levantar os projetos. “Estamos realizando um leilão A-5, que tecnicamente é uma A-4”, diz, devido à data do certame, no final de dezembro.
Já o pesquisador do Gesel - UFRJ, Guilherme Dantas, não considera esse certame diferenciado e também não crê que o preço das eólicas vá fugir do patamar alcançado nos leilões deste ano. “Eu acredito num leilão restrito para as eólicas, mas com bom nível de competitividade”, pontua.
Quanto aos preços fixados para o leilão, o diretor executivo da PSR Consultoria, Jorge Drinekenreich, avalia que a pouca oferta de projetos hídricos deverá fazer o preço baixar e a eólica se manter próxima dos R$ 100 por MWh.
“É pena que as térmicas a gás não vão entrar, e a biomassa é muito boa. Já a PCH vive um momento de purgatório: o custo da construção civil aumentou muito”, analisa.
O especialista também é cético quanto a alguns projetos colocados no certame. “As hidrelétricas do Parnaíba, que já foram ofertadas sozinhas em leilão anterior, não despertaram atenção. Portanto, só resta a eólica”, considera. A opinião lembra críticas da Chesf, que vê pouca atratividade no Complexo Parnaíba. As usinas, que não foram viabilizadas em 2010, ainda tiveram a tarifa-teto e o orçamento previsto apertados pelo governo.
Diante desse cenário cheio de incertezas, ninguém quis arriscar quantos MW serão contratados no certame. Mas o domínio da energia dos ventos é uma certeza. “Para competir com a eólica só mesmo as térmicas à gás. Como elas não vão estar presentes, sem dúvida, esse leilão será raro “, finaliza Drinekenreich.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Renova Energia decide ficar de fora do leilão A-5 e não aporta garantias

Companhia, que tinha 10 projetos eólicos habilitados, diz que vai focar desenvolvimento de usinas
A Renova Energia comunicou ao mercado nesta quinta-feira (8/12) que desistiu de participar do leilão A-5, marcado para 20 de dezembro. De acordo com informações enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa não aportou garantias referentes a seus 10 projetos eólicos que haviam sido habilitados para a disputa.
O certame contratará usinas para início de geração em 1º de janeiro de 2016. Participarão usinas eólicas, plantas a biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e hidrelétricas, sendo que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou 6,2GW para a licitação. Os empreendimentos da Renova somavam 211MW.
A Renova destaca que, nos últimos cinco meses, comercializou 613MW de capacidade em novos projetos a partir dos ventos. Desse total, foram 213MW no mercado regulado e 400MW no livre, em acordo fechado com a Light, que entrou no bloco de controle da companhia recentemente. A capacidade total da empresa mais que dobrou, para 1.110MW, com início de operação distribuído ao longo dos próximos cinco anos.
"Desta forma, a companhia decidiu, neste momento, concentrar seus esforços na implantação dos parques eólicos e na preparação para o importante crescimento conseguido", explica a Renova. A companhia ainda lembra que as usinas retiradas do A-5 continuam no porfolio e estão prontas para participarem "nos próximos leilões regulados ou no mercado livre".

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Alstom vai produzir turbinas eólicas de até 3MW em fábrica na Bahia

Unidades terão 40% de conteúdo nacional; meta é chegar a 60% em dois anos, conforme acordo com o BNDES
A francesa Alstom inaugurou na tarde desta quarta-feira (30/11) uma fábrica de aerogeradores em Camaçari, na Bahia. A unidade, que recebeu investimentos de R$50 milhões, terá capacidade de produzir 300MW em máquinas ao ano. Parte dos recursos veio de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O head da área de energia da Alstom no Brasil e na América Latina, Marcos Costa, explicou que o financiamento está atrelado ao cumprimento de uma meta de nacionalização dos equipamentos. No início, 40% dos componentes serão fabricados localmente e o resto será importado. O objetivo acordado com o banco estatal é de chegar a 60% de conteúdo nacional em dois anos.
Serão fabricadas no local as máquinas Eco 86, de 1,67MW, e Eco 100, de 3MW, modelos que já possuem mais de 350MW instalados ou em construção ao redor do mundo. Segundo Alfonso Faubel, vice-presidente da Alstom Wind, a partir de fevereiro de 2012 a planta deve iniciar também a fabricação da máquina Eco 122, de 2,7MW.
O presidente da companhia francesa no Brasil, Philippe Delleur, disse que a Bahia foi escolhida por ter “o maior potencial eólico do Brasil”. E o polo de Camaçari, mais especificamente, pela proximidade com outros elos da cadeira produtiva. O executivo também elogiou a qualidade da mão-de-obra local e o envolvimento das autoridades locais e federais para viabilizar o negócio.
Além de atender o mercado brasileiro, a unidade deve exportar um terço da produção para outros mercados da América Latina, como Argentina e Chile. Até o momento, a Alstom tem contratos fechados para fornecer a projetos da Desenvix, também na Bahia, e da Brasventos, no Rio Grande do Norte. Marcos Costa, porém, destacou que há conversas avançadas com um agente que implantará um parque no Rio Grande do Sul. “O que mostra que nossa competitividade é em todo o território”, concluiu.

MME ignora Aneel e mantém exigência de dois anos de medições de ventos

EPE diz que investidores não têm encontrado dificuldades para entregar os dados pedidos pelo governo
O Ministério de Minas e Energia determinou à Empresa de Pesquisa Energética que somente sejam habilitados tecnicamente para leilões de energia parques eólicos com ao menos dois anos de medições de ventos. A exigência é válida para o A-5 de dezembro e o A-3 de março de 2012.
A posição contraria medida da Aneel, que alterou a Resolução 391/2009 para permitir que os investidores apresentassem apenas um ano de dados até o final de 2012. Em 2013, começariam a ser pedidas medições de três anos.
“A Aneel reduziu, mas o MME quer manter os dois anos de medições na habilitação dos leilões. Temos 600 projetos já cadastrados no A-3 com esses dois anos. Quem vai investir em eólica de verdade, e não como especulador, vai medir não um ano, mas dois, três, até cinco”, disse José Carlos de Miranda, diretor de estudos de energia elétrica da EPE.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Parques eólicos poderão apresentar somente um ano de medições até o final de 2012

A partir de 2013, Aneel passará a exigir três anos de dados; agência diz que poucos agentes se mostraram contrários à ideia
Os investidores interessados em requerer outorga para a instalação de parques eólicos poderão, até o final de 2012, entregar dados de medição de ventos relativos a apenas um ano. Pela Resolução Normativa 391/2009 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os empreendedores precisariam passar a apresentar, já em 2012, informações que contemplassem dois anos de levantamentos.
Na reunião de diretoria do órgão regulador, nesta quarta-feira (16/11), foi decidido também que será mantida a cobrança de três anos de estudos a partir de 1º de janeiro de 2013. A Aneel afirma que, durante audiência pública sobre a resolução, "apenas uma significativa minoria dos agentes (28%) pleiteou a diminuição definitiva do tempo exigido para a medição do vento exigida". A superintendência de concessões e autorizações de geração (SCG) da agência também realizou estudos que sugerem que sejam colhidos dados durante um período entre um e cinco anos.
A Aneel também aprovou a rebertura de audiência pública para obter contribuições e subsídios para uma nova resolução normativa que substituirá as de número 390 e 391 de 2009. Os textos estabelecem os requisitos necessários à autorização para exploração e alteração da capacidade instalada de térmicas, eólicas e usinas de outras fontes alternativas de energia. Serão recebidas sugestões entre 18 de novembro e 9 de dezembro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tractebel já vendeu 60% da energia de eólicas no mercado livre

Companhia pretende continuar apostando no crescimento na área sem ir a leilões promovidos pelo governo
A Tractebel Energia mantém firmes seus planos de crescer no setor eólico sem precisar participar dos leilões promovidos pelo governo. Nesta terça-feira (8/11), durante teleconferência com investidores e analistas, o diretor financeiro da companhia, Eduardo Sattamini, disse que os cinco parques que a empresa pretende construir já estão com 60% da energia vendida no mercado livre. A produção das usinas terá como destino consumidores especiais, que têm desconto nas tarifas de transmissão para a compra de energia de fontes alternativas.
Das cinco plantas, quatro, no Ceará, contam com licença de instalação, que permite o início das obras, o que acontecerá ainda neste mês. Uma das usinas, no Piauí, ainda não obteve o aval ambiental, mas a expectativa é de que isso aconteça em breve, dentro de "30 ou 40 dias". Segundo Sattamini, os cronogramas estão em dia e a operação está prevista para o final de 2012.
Ao todo, serão 145,4MW (75MWmédios) em parques eólicos, somando um investimento de R$626 milhões. Os contratos de fornecimento de turbinas já estão fechados com a Siemens e a WEG produzirá os transformadores para os projetos.
Sattamini destacou que a Tractebel tem a intenção de seguir com os projetos eólicos e que novos parques estão em avaliação. Mas, antes de firmar novos investimentos, a companhia pretende vender a totalidade da energia dos empreendimentos já em andamento. O diretor ainda destacou que o momento não é o melhor para a comercialização no mercado livre, que está com preços considerados baixos, na casa dos R$100 por MWh. No entanto, fez a ressalva de que os parques visam "clientes são específicos, especiais, dispostos a pagar um pouco mais de preço".

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

OCDE vê entraves em licenças e forte presença estatal no setor elétrico brasileiro

Organização afirma que País enfrentará grande desafio para expandir a geração no mesmo ritmo da demanda
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 34 países, acredita que o setor elétrico brasileiro tem como maior desafio a necessidade de aumentar a capacidade de geração de energia para atender a uma demanda "que deve crescer rapidamente nos próximos anos". A opinião aparece em um estudo que se debruça sobre números da economia do Brasil e elogia os progressos sociais - ao mesmo tempo em que alerta contra a inflação e sugere mudanças estruturais, como a reforma previdenciária.
Para a OCDE, "as autoridades devem investigar a prática de subsídios cruzados no setor de energia e, em função dos resultados das apurações, proibir a atuação de empresas de distribuição e de geração pertencentes ao mesmo grupo". Outro fato que chama a atenção dos especialistas do órgão é a força da estatal Eletrobras, que tem participado de todos os leilões de geração. Para a organização, o governo precisa avaliar se não há a necessidade de abrir mais o setor para os investimentos privados.
O relatório também aponta que "o licenciamento ambiental deve ser simplificado", embora admita "muitos progressos". Segundo o documento, o País é um dos únicos a ter três etapas: licença prévia, licença de operação e licença de instalação, sendo que cada uma delas "oferece oportunidades para terceiros moverem ações na Justiça". Para a OCDE, a questão "tem ocasionado incertezas, prazos longos e altos custos de transação", "especialmente no setor de energia".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Parque eólico do Proinfa inicia operação comercial em Santa Catarina

Usina Bom Jardim, da Energimp, soma 30MW em potência instalada, divididos em 20 aerogeradores
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou nesta segunda-feira (24/10) a operação comercial do parque eólico Bom Jardim, instalado em Bom Jardim da Serra, Santa Catarina.
Por meio de despacho no Diário Oficial da União, o órgão regulador autorizou a geração a partir de 22 de outubro das 20 turbinas da usina. Cada máquina soma 1,5MW de potência, totalizando 30MW de capacidade.
A planta pertence à Energimp, companhia formada por uma parceria entre a argentina Impsa e o FI-FTGS. O projeto foi viabilizado por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) do governo federal. As usinas enquadradas no Proinfa têm até 31 de dezembro deste ano para iniciar a operação.
Nota do Blog: Quando se fala em projetos do Proinfa pode se manter a última frase da notícia guardada. O prazo é 31 de dezembro. Não importa de que ano.  

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Bahia fala em energia solar a R$150 por MWh e pede entrada da fonte em leilões

Secretário também afirma que mais empresas de energia eólica estão perto de fechar instalação no Estado
A secretaria de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia está em contato com diversos empreendedores do setor elétrico interessados em se instalar no Estado. Após assinar um memorando de intenções com a GE, que produzirá turbinas eólicas na região, o secretário James Correia revela que investidores da geração solar também estão sondando fortemente a região. Segundo ele, o interesse é tanto que o governo irá se empenhar em convencer o Ministério de Minas e Energia a abrir os próximos leilões para a participação da fonte.
"Achamos que alguns projetos já podem ser competitivos na casa dos R$150 por MWh. Então, por que não deixar participar, qual é a restrição? Defendo essa liberação o mais rápido possível", explica Correia. Segundo ele, esse número, muito mais baixo que os valores que têm sido apontados no mercado para a energia solar, não é uma estimativa do governo, mas de gente da área. "Tem empreendedor nos procurando e dizendo que está com projetos nesse preço.Até em função da conjuntura. Você tem um mercado com dificuldades na Europa, nos Estados Unidos, e quem tem linha de produção montada está disposto a produzir por preço menor".
O secretário lembra o caso da energia eólica, que enfrentava resistência e, após começar a aparecer em leilões, teve o preço em queda livre, chegando a patamares abaixo dos R$100 por MWh. No primeiro certame envolvendo a fonte, agentes falavam que não seria possível viabilizar usinas abaixo de R$180 por MWh. "O governo tem que abrir. Não cabe julgar se (as usinas) vão ter preço (baixo) ou não. O leilão é para isso", argumenta Correia.
Para o representante do governo baiano, a viabilização dos primeiros projetos é importante para atrair os fabricantes para o País, uma vez que, por enquanto, o interesse em se instalar no Estado tem sido mais de usinas do que de fornecedores. "Tem que ter mercado. A própria energia eólica só foi desenvolver fábricas quando começaram os leilões, três anos atrás. Com a solar a mesma coisa. Você não vai conseguir atrair fábrica para cá sem ter uma política de contratação. Só um louco viria", brinca o secretário.
Indústria eólica aquecida
Grandes nomes da indústria como Gamesa, Alstom e GE já comunicaram a escolha da Bahia como sede para fábricas no Brasil. E, de acordo com Correia, os anúncios não vão parar por aí. Ele adianta que "duas grandes empresas" estão próximas de fechar acordos com o governo para produzir aerogeradores localmente. E outros agentes da cadeia do setor, como produtores de pás e torres, também estão na mira.
"A Andrade Gutierrez está vindo fabricar aqui torres de concreto de até 100 metros e uma empresa espanhola vai fabricar torres metálicas. Estamos avançando a cadeia aqui", afirma. Correia destaca que o governo tem assinados protocolos de intenção para receber 20 mil MW em projetos eólicos. Considerando-se um custo de investimento médio de R$4 milhões por MW instalado, o Estado calcula que pode receber R$80 bilhões em empreendimentos.
"Temos um mercado definido. Posso dizer que a Bahia é a bola da vez na energia eólica: tem o maior mercado, os melhores ventos, e tem atraído uma série de empresas para cá por causa disso", comemora o secretário do Estado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Abengoa e Banco Santander vão construir parques eólicos no Brasil

Grupos espanhóis formam joint venture para a instalação de três usinas no Ceará que somarão 64MW de potência
A elétrica Abengoa e o Banco Santander firmaram uma joint venture para a construção e operação de três parques eólicos no Ceará. As companhias, ambas espanholas, viabilizaram essas usinas, que somam 64MW de potência, no último leilão de energia promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em agosto.
Com expertise no setor elétrico brasileiro, a Abengoa será a responsável pela construção, operação e manutenção das plantas durante os vinte anos de concessão. Segundo comunicado da companhia, as usinas produzirão energia suficiente para abastecer 200 mil pessoas e evitar a emissão anual de mais de 400 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
A Abengoa ainda destaca que, em março, já havia acertado a entrada no mercado eólico do Uruguai. Na ocasião, a companhia viabilizou a construção de um parque de 50MW na localidade de Peralta, em Tacuarembó, por meio de leilão promovido pela UTE, a estatal local de energia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Governo marca leilão A-3 de 2012 novamente com gás, eólicas, biomassa e PCHs

Certame acontece em 22 de março para contratar empreendimentos com início de geração em janeiro de 2015
O Ministério de Minas e Energia publicará no Diário Oficial desta segunda-feira (26/9) a portaria que define as diretrizes para o leilão de energia A-3 de 2012, que vai contratar a energia de usinas para início de suprimento dem 1º de janeiro de 2015. Poderão participar da licitação parques eólicos, térmicas a gás natural, usinas a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O certame acontece em 22 de março.
Os empreendedores interessados deverão requerer habilitação técnica dos projetos junto à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do MME, até as 12 horas de 21 de novembro deste ano. Nesse momento também deverá ser feito o requerimento de conexão para as usinas interessadas em se ligar às centrais de transmissão compartilhada, as ICGs.
No A-3 de 2012 serão negociados contratos de comercialização de energia (CCEAR) na modalidade por disponibilidade, com prazo de vinte anos, para eólicas, e termelétricas a biomassa ou a gás natural em ciclo combinado. E CCEARs na modalidade por quantidade, com prazo de suprimento de trinta anos, para empreendimentos hidrelétricos.
Os agentes de distribuição deverão apresentar até o dia 31 de janeiro de 2012 as declarações de necessidade para o leilão A-3 de 2012, contemplando os volumes de energia elétrica demandados para o atendimento à totalidade de seus mercados consumidores, nos períodos com início a partir de 1º de janeiro de 2015. Já as distribuidoras localizadas nos sistemas isolados deverão apresentar esses documentos desde que a data prevista para recebimento de energia seja igual ou posterior à de interligação ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Clique aqui para ler a íntegra da portaria.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Leilão de reserva contrata 1.218MW em usinas a um preço médio de R$99,61 por MWh

Deságio é de 31,8%; eólicas dominam lista de vencedores, com 34 usinas, contra sete térmicas a biomassa
O leilão de energia de reserva chegou ao fim nesta quinta-feira (18/8) após pouco mais de cinco horas e meia de disputa. O deságio médio foi de 31,8%, com as usinas participantes chegando a um preço médio de R$99,61 por MWh, contra a tarifa-teto estabelecida pelo governo de R$146 por MWh. Foram contratados 41 empreendimentos, somando 1.218,1MW em potência instalada e 589,30MWmédios em garantia física.
A energia gerada através dos ventos voltou a dominar a competição, assim como aconteceu no A-3 desta quarta. Entre os vencedores, apareceram 34 usinas eólicas, contra sete térmicas a biomassa. A previsão é de que os projetos consumam R$3,2 bilhões em investimentos e iniciem a operação em 1º de julho de 2014. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o leilão fechou R$8 bilhões em contratos de energia.
A usina mais barata da licitação foi a termelétrica a biomassa de cana-de-açúcar Tropical Bioenergia (50MW), em Goiás, que comercializou sua produção futura a R$95 por MWh. Em segundo lugar vieram quatro parques eólicos na Bahia que serão construídos pela BW a um custo de energia de R$96,97 por MWh. A planta não chegou a bater o recorde registrado pelo parque eólico de Ibirapuitã I, viabilizado pela Eletrosul no leilão de quarta por R$96,49 por MWh. Já o maior preço do certame ficou com a térmica a cavaco de madeira Guaçu (30MW), no Mato Grosso, de R$101,99 por MWh.